28/07/2014 16h12 - Atualizado em 28/07/2014 17h24
Planeta passa por uma das maiores extinções de animais já vistas
Wikimedia CommonsSegundo a pesquisa, vivemos em meio a uma onda global de perda de biodiversidade impulsionada pela ação humana. Mas os cientistas alertam que, enquanto as imagens de satélite detectam o desmatamento, a perda da fauna é um evento que passa despercebido pelos órgãos de proteção ambiental.
Desde a última extinção de grandes mamíferos no final da Era do Gelo, há 10 mil anos, a sobrevivência dos grandes animais tem sido afetada. Desde o início das navegações, em 1500, o ser humano levou à extinção 322 espécies de vertebrados, principalmente de grandes animais em regiões tropicais. Se esse ritmo continuar, no futuro, apenas as espécies pequenas como camundongos, gambás e ratos sobreviverão na Terra.
Além das extinções, há também a queda de abundância dos animais. Nos últimos 40 anos, por exemplo, muitas espécies reduziram suas populações em cerca de 30%. A redução da abundância de invertebrados tem sido mais severa ainda, de 35% nos últimos 40 anos.
Durante o estudo, os cientistas reuniram dados populacionais de grandes mamíferos, como rinocerontes, gorilas, leões e de invertebrados, como as borboletas. O resultado é alarmante: uma em cada quatro espécies de vertebrados tem tido suas populações reduzidas. O problema também atinge os invertebrados.
“Para nossa surpresa, não estamos vivendo apenas uma onda de extinção de animais, mas muitas espécies estão tendo um rápido declínio populacional. Ou seja, a extinção local é mais forte que a extinção das espécies”, disse Galetti.
Galetti afirma que, apesar de os cientistas se preocuparem com a extinção das espécies, a extinção local de populações também é um grande problema. “Algumas espécies podem não estar globalmente ameaçadas, mas podem estar extintas localmente. Essa extinção local de animais afeta o funcionamento dos ecossistemas naturais vitais ao homem”, afirmou.
“A extinção de uma espécie tem um grande impacto; a redução das populações de animais causa um impacto ainda maior nos ecossistemas. Enquanto a extinção de uma espécie é um processo lento, a extinção local de populações é um processo rápido”, disse.
Segundo Galetti, a rápida diminuição das populações de vertebrados e invertebrados no planeta traz consequências para o bem-estar da humanidade. Os animais fornecem serviços ambientais imprescindíveis à sobrevivência da nossa própria espécie.
Os animais provêm alimento para a humanidade, polinizam e dispersam plantas, controlam pragas e doenças. Um planeta sem fauna trará, portanto, sérias consequências para a humanidade.
Segundo Galetti, é necessária uma “refaunação”, ou seja, é preciso proteger as áreas naturais para evitar a caça de animais e reintroduzir animais extintos em seus habitats adequados. O cientista também alerta para a necessidade de mudar os hábitos da população para que não comprem animais silvestres, além de criar consumidores responsáveis, que não usam marcas que causam a destruição de florestas.
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